Os gastos da campanha eleitoral na Paraíba já ultrapassaram a cifra dos R$ 17 milhões, de acordo com os dados divulgados ontem pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), referentes à segunda prestação de contas dos candidatos. Só os dois principais postulantes ao governo do estado gastaram juntos quase R$ 6 milhões, sendo que José Maranhão (PMDB), que disputa à reeleição, foi o que mais investiu até agora.
Para garantir a permanência no cargo de governador, Maranhão destinou à campanha o total de R$ 3.997.824,37, mais que o dobro gasto por Ricardo Coutinho (PSB), que aparece em segundo lugar na lista com o investimento de R$ 1.966.314,73. Na terceira posição está a candidata do PCO, Lourdes Sarmento com uma verba de R$ 5 mil. Apesar de ter prestado contas à Justiça Eleitoral, o candidato Nelson Júnior (PSOL) informou que não gastou nenhum recurso até agora apesar de possuir R$ 600 em receita. Os outros candidatos ainda não informaram a segunda parcial da prestação de contas.
Mesmo apresentando valores bastante diferenciados, os investimentos realizados pelos dois candidatos com mais intenções de votos seguiram a mesma lógica. Tanto o peemedebista quanto o socialista estão apostando na publicidade para vencer as eleições. Maranhão destinou quase R$ 3 milhões para despesas com materiais impressos, carros de som, jornais, revistas, programas de rádio, televisão e telemarketing. Já Ricardo preferiu se dedicar aos materiais impressos, para onde destinou quase R$ 1 milhão.
Outra semelhança na campanha para o governo do estado é que tanto o governador como seu maior adversário na disputa gastaram mais do que declararam em receita. Um dado curioso é que enquanto José Maranhão investiu R$ 96.079,00 com cessão ou locação de veículos, Ricardo Coutinho declarou ter utilizado R$ 601.417,83 no mesmo item.
No Senado Federal a corrida por uma vaga também vem provocando o uso de grandes quantias na campanha. O ex-governador e candidato a senador Cássio Cunha Lima (PSDB) declarou investimento de R$ 2.577.241,52, sendo que mais dois milhões ele destinou para a produção de programas de rádio, televisão ou vídeo. O valor é mais que o dobro do que Vitalzinho (PMDB) declarou ter usado nestes dois meses de campanha, R$ 926.104,15.
Os postulantes ao mesmo cargo, Wilson Santiago (PMDB) e Efraim Morais (DEM), foram mais modestos em seus gastos e investiram a quantia de R$ 355.585,96 e R$ 194.598,46, respectivamente. Marcos Dias (PSOL) só desembolsou R$ 1.750 para tentar se tornar senador da República. Os demais candidatos não apresentaram suas despesas.
Campanhas para deputado são milionárias
Na disputa para deputado, o montante empregado até agora também chama a atenção. Faltando menos de um mês para o pleito eleitoral, os postulantes investem pesado na campanha que pode garantir o futuro político de cada um. Foram destinados quase R$ 8 milhões, sendo R$ 4.411.643,99 para a disputa a nível estadual e R$ 2.921.734,45 em nível federal, e o valor deve aumentar até o dia 3 de outubro.
Um dos candidatos que têm investido pesado é o deputado federal Manoel Junior (PMDB) que desembolsou R$ 541.129,64 para garantir o retorno à Câmara Federal. Grande parte dessa quantia é voltada para pagar despesas com publicidade, do mesmo modo que ocorre com os demais postulantes. A quantia é maior do que fora declarada em receita.
Entre os poucos candidatos cuja despesa está dentro do limite da receita declarada aparece o também candidato a reeleição para deputado federal Efraim Filho (DEM), que destinou R$ 140 mil para a campanha e gastou até o momento R$ 139.702,90. Na disputa há ainda quem pareça estar poupando despesas como o deputado Wellington Roberto (PR) que investiu apenas 29.900, quando sua receita para a campanha é de R$ 100 mil.
Dos 97 candidatos registrados no TSE para concorrer nas eleições à Câmara Federal, 79 entregaram a prestação de contas ao Tribunal. Com relação às vagas da Assembleia Legislativa, dos 266 candidatos, 221 entregaram a prestação de contas no TSE. Entre estes candidatos uma curiosidade é disparidade no valor investido na campanha entre nomes conhecidos do legislativo. O deputado João Henrique (DEM), por exemplo, gastou R$ 155.910,61 enquanto o colega na AL e no partido, Lindolfo Pires (DEM), só desembolsou R$ 14.025,00.
DEPUTADO FEDERAL
Candidato Cargo
Manoel Junior (PMDB) R$ 541.129,64
Damião Feliciano (PDT) R$ 249.218,27
Luiz Couto (PT) R$ 184.964,11
Ruy Carneiro (PSDB) R$ 170.507,52
Benjamim Maranhão (PMDB) R$ 141.146,76
Efraim Filho (DEM) R$ 139.702,90
Romero Rodrigues (PSDB) R$ 135.966,05
Jeová Campos (PT) R$ 134.985,43
Aguinaldo Ribeiro (PP) R$ 104.841,94
Flaviano Quinto (PMDB) R$ 92.364,79
DEPUTADO ESTADUAL
Candidato Cargo
João Henrique (DEM) R$ 155.910,61
Gervázio Maia (PMDB) R$ 152.755,00
Domiciniano Cabral (DEM) R$ 99.709,47
Assis Quintans (DEM) R$ 85.193,70
Raniery Paulino (PMDB) R$ 69.635,96
Olenka Maranhão (PMDB) R$ 59.061,24
Wilson Braga (PMDB) R$ 52.817,50
Trocolli Junior (PMDB) R$ 52.721,46
Iraê Lucena (PMDB) R$ 41.174,35
João Gonçalves (PSDB) R$ 37.388,01
VALORES POR CARGO
Governo
R$ 5.969.739,10
Senado
R$ 4.055.280,09
Deputado Federal
R$ 2.921.734,45
Deputado Estadual
R$ 4.411.643,99
Total: R$ 17.358.397,63
Thais Cirino, jornal O Norte