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PSDB pede expulsão de Domiciano Cabral por desvio de verba

Quinta, 03 de Agosto de 2006 09h44

Por seis a zero, o Conselho de Ética do PSDB decidiu, ontem, expulsar do partido o deputado Domiciano Cabral. Ele foi acusado de envolvimento em esquema de desvio de recursos do Orçamento. Os integrantes do conselho acataram, por unanimidade parecer do relator José Gregori, ex-ministro da Justiça do governo Fernando Henrique, que pedia uma punição rigorosa para o parlamentar. O processo segue agora para decisão final da Comissão Executiva Nacional.

Domiciano e o deputado B. Sá (PSB-PI) foram flagrados em escuta telefônica, durante investigação da Operação Confraria, negociando suposta propina com as empreiteiras OAS e Cojuda. B. Sá é acusado de participar de esquema semelhante ao da máfia dos sanguessugas. O deputado apresentou emenda ao Orçamento da União para a construção de uma barragem no sul do Piauí em troca de R$ 15 mil pagos pelas empreiteiras responsáveis pela obra.

Na noite desta quarta-feira, dia 2, o PSDB também decidiu instaurar processo de expulsão contra o deputado Paulo Feijó (RJ), acusado de envolvimento com a máfia das ambulâncias. Segundo assessoria de imprensa da legenda, o presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), vai encaminhar representação ao Conselho de Ética pedindo a expulsão de Paulo Feijó.

Outros tucanos citados no depoimento de Luiz Antonio Trevisan Vedoin, acusado de ser o mentor do esquema, terão de apresentar defesa em 48 horas. Esse é o caso dos deputados Helenildo Ribeiro (AL) e Itamar Serpa (RJ). O PSDB também entendeu que não há provas contra os deputados Eduardo Gomes (TO) e João Almeida (BA).

Notificação não chegou na PB
O secretário-geral do PSDB da Paraíba, João Fernandes, disse, ontem, que o partido ainda não havia recebido notificação sobre a expulsão do deputado federal Domiciano Cabral dos quadros da legenda, acusado de quebra o decoro parlamentar. Ele explicou que o PSDB paraibano só vai tomar uma posição definitiva sobre o caso depois que Domiciano for julgado pelo Conselho de Ética da Câmara e pela Justiça.

João Fernandes entende que a decisão do PSDB Nacional reflete, na verdade, uma posição preventiva do partido sobre aqueles que estão supostamente envolvidos em irregularidades e precisam ser investigados. "O PSDB mostra, com essa atitude, que não vai tolerar que nenhum dos filiados cometam qualquer tipo de deslize. Quem fizer isso será punido", avaliou Fernandes.

O secretário avaliou, no entanto, que essa decisão do Conselho de Ética do partido é preliminar e Domiciano terá todo o direito de recorrer, dentro do principio do contraditório, junto a Executiva Nacional, que, por sua vez, vai apurar o caso, com mais detalhes, e analisar a defesa do parlamentar.

“Estão querendo um bode expiatório”
"Sou vítima desse processo. O PSDB está querendo sacrificar um político somente para dar exemplo aos outros partidos. Isso é um absurdo. Estão querendo é um bode expiatório. Na Paraíba, todos me conhecem e sabem que eu não cometi nenhum crime". O desabafo foi feito, ontem, pelo deputado federal tucano Domiciano Cabral, após tomar conhecimento da decisão do Conselho de Ética do PSDB de expulsá-lo da legenda.

Domiciano Cabral observou que não é mais candidato a reeleição e por isso vem sofrendo uma retaliação política. Ele afirmou que não cometeu nenhuma irregularidade e nenhum decoro parlamentar. "Estou tranqüilo e vou apresentar minha defesa na instância superior, que é a Executiva Nacional do PSDB", acrescentou.

O deputado paraibano assegurou que, em momento algum, teria intermediado qualquer tipo de negócio entre seu sogro, Julião Medeiros, proprietário da Cojuda, e o Ministério dos Transportes, em Brasília. Essa denúncia resultou da gravação de uma fita, que está em poder do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, onde Julião teria sugerido a Domiciano que intercedesse no pagamento de uma suposta dívida do Ministério com a Cojuda.

"Solicitei ao Ministério dos Transportes cópias de ofícios para provar que as audiências que eu participei no órgão não foram para cobrar nada. Estive lá, em 2004, para tratar de assuntos de interesse da cidade de Bayeux e outra, em 2005, fazendo parte de uma comissão de deputados", esclareceu o deputado tucano.

Domiciano afirmou, indignado, que pelo fato de não concorrer a reeleição deste ano alguns membros da Mesa estão tentando lhe desestabilizar politicamente. Ele disse que não tem o que temer e mandou um recado: "Já abri mão do meu sigilo bancário, telefônico e fiscal".

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